Lei 12.300 de 16 de Março de 2006

Link para a lei, no site oficial do Governo

 

Institui a Política Estadual de Resíduos
Sólidos e define princípios e diretrizes.

O GOVERNADOR DO ESTADO DE SÃO PAULO:

Faço saber que a Assembléia Legislativa decreta e eu promulgo a seguinte lei:

TÍTULO I
Da Política Estadual De Resíduos Sólidos

CAPÍTULO I
Dos Princípios e Objetivos

Artigo 1º – Esta lei institui a Política Estadual de Resíduos Sólidos e define princípios e
diretrizes, objetivos, instrumentos para a gestão integrada e compartilhada de resíduos sólidos,
com vistas à prevenção e ao controle da poluição, à proteção e à recuperação da qualidade do
meio ambiente, e à promoção da saúde pública, assegurando o uso adequado dos recursos
ambientais no Estado de São Paulo.

Artigo 2º – São princípios da Política Estadual de Resíduos Sólidos:

I – a visão sistêmica na gestão dos resíduos sólidos que leve em consideração as
variáveis ambientais, sociais, culturais, econômicas, tecnológicas e de saúde pública;

II – a gestão integrada e compartilhada dos resíduos sólidos por meio da articulação
entre Poder Público, iniciativa privada e demais segmentos da sociedade civil;

III – a cooperação interinstitucional com os órgãos da União e dos Municípios, bem como
entre secretarias, órgãos e agências estaduais;

IV – a promoção de padrões sustentáveis de produção e consumo;

V – a prevenção da poluição mediante práticas que promovam a redução ou eliminação
de resíduos na fonte geradora;

VI – a minimização dos resíduos por meio de incentivos às práticas ambientalmente
adequadas de reutilização, reciclagem, redução e recuperação;

VII – a garantia da sociedade ao direito à informação, pelo gerador, sobre o potencial de
degradação ambiental dos produtos e o impacto na saúde pública;

VIII – o acesso da sociedade à educação ambiental;

IX – a adoção do princípio do poluidor-pagador;

X – a responsabilidade dos produtores ou importadores de matérias-primas, de produtos
intermediários ou acabados, transportadores, distribuidores, comerciantes, consumidores,
catadores, coletores, administradores e proprietários de área de uso público e coletivo e
operadores de resíduos sólidos em qualquer das fases de seu gerenciamento;
XI – a atuação em consonância com as políticas estaduais de recursos hídricos, meio
ambiente, saneamento, saúde, educação e desenvolvimento urbano;

XII – o reconhecimento do resíduo sólido reutilizável e reciclável como um bem
econômico, gerador de trabalho e renda;

Artigo 3º – São objetivos da Política Estadual de Resíduos Sólidos:

I – o uso sustentável, racional e eficiente dos recursos naturais;

II – a preservação e a melhoria da qualidade do meio ambiente, da saúde pública e a
recuperação das áreas degradadas por resíduos sólidos;

III – reduzir a quantidade e a nocividade dos resíduos sólidos, evitar os problemas
ambientais e de saúde pública por eles gerados e erradicar os “lixões”, “aterros controlados”,
“bota-foras” e demais destinações inadequadas;

IV – promover a inclusão social de catadores, nos serviços de coleta seletiva;

V – erradicar o trabalho infantil em resíduos sólidos promovendo a sua integração social
e de sua família;

VI – incentivar a cooperação intermunicipal, estimulando a busca de soluções
consorciadas e a solução conjunta dos problemas de gestão de resíduos de todas as origens;

VII – fomentar a implantação do sistema de coleta seletiva nos Municípios.

Parágrafo único – Para alcançar os objetivos colimados, caberá ao Poder Público, em
parceria com a iniciativa privada:

1. articular, estimular e assegurar as ações de eliminação, redução, reutilização,
reciclagem, recuperação, coleta, transporte, tratamento e disposição final dos resíduos sólidos;

2. incentivar a pesquisa, o desenvolvimento, a adoção e a divulgação de novas
tecnologias de reciclagem, tratamento e disposição final de resíduos sólidos, inclusive de
prevenção à poluição;

3. incentivar a informação sobre o perfil e o impacto ambiental de produtos através da
autodeclaração na rotulagem, análise de ciclo de vida e certificação ambiental;

4. promover ações direcionadas à criação de mercados locais e regionais para os
materiais recicláveis e reciclados;

5. incentivar ações que visem ao uso racional de embalagens;

6. instituir linhas de crédito e financiamento para a elaboração e implantação de Planos
de Gerenciamento de Resíduos Sólidos;

7. instituir programas específicos de incentivo para a implantação de sistemas
ambientalmente adequados de tratamento e disposição final de resíduos sólidos;
8. promover a implantação, em parceria com os Municípios, instituições de ensino e
pesquisa e organizações não-governamentais, de programa estadual de capacitação de
recursos humanos com atuação na área de resíduos sólidos;

9. incentivar a criação e o desenvolvimento de cooperativas e associações de catadores
de materiais recicláveis que realizam a coleta e a separação, o beneficiamento e o
reaproveitamento de resíduos sólidos reutilizáveis ou recicláveis;

10. promover ações que conscientizem e disciplinem os cidadãos para o adequado uso
do sistema de coleta de resíduos sólidos urbanos;

11. assegurar a regularidade, continuidade e universalidade nos sistemas de coleta,
transporte, tratamento e disposição de resíduos sólidos urbanos;

12. criar incentivos aos Municípios que se dispuserem a implantar, ou a permitir a
implantação, em seus territórios, de instalações licenciadas para tratamento e disposição final
de resíduos sólidos, oriundos de quaisquer outros Municípios;

13. implantar Sistema Declaratório Anual para o controle da geração, estocagem,
transporte e destinação final de resíduos industriais;

14. promover e exigir a recuperação das áreas degradadas ou contaminadas por
gerenciamento inadequado dos resíduos sólidos mediante procedimentos específicos fixados
em regulamento;

15. promover a gestão integrada e compartilhada de resíduos sólidos, apoiando a
concepção, implementação e gerenciamento dos sistemas de resíduos sólidos com participação
social e sustentabilidade.

CAPÍTULO II
DOS INSTRUMENTOS

Artigo 4º – São instrumentos da Política Estadual de Resíduos Sólidos:

I – o planejamento integrado e compartilhado do gerenciamento dos resíduos sólidos;

II – os Planos Estadual e Regionais de Gerenciamento de Resíduos Sólidos;

III – os Planos dos Geradores;

IV – o Inventário Estadual de Resíduos Sólidos;

V – o Sistema Declaratório Anual de Resíduos Sólidos;

VI – o termo de compromisso e termo de ajustamento de conduta;

VII – os acordos voluntários ou propostos pelo Governo, por setores da economia;

VIII – o licenciamento, a fiscalização e as penalidades;

IX – o monitoramento dos indicadores da qualidade ambiental;
X – o aporte de recursos orçamentários e outros, destinados prioritariamente às práticas
de prevenção da poluição, à minimização dos resíduos gerados e à recuperação de áreas
degradadas e remediação de áreas contaminadas por resíduos sólidos;

XI – os incentivos fiscais, tributários e creditícios que estimulem as práticas de prevenção
da poluição e de minimização dos resíduos gerados e a recuperação de áreas degradadas e
remediação de áreas contaminadas por resíduos sólidos;

XII – as medidas fiscais, tributárias, creditícias e administrativas que inibam ou restrinjam
a produção de bens e a prestação de serviços com maior impacto ambiental;

XIII – os incentivos à gestão regionalizada dos resíduos sólidos;

XIV – as linhas de financiamento de fundos estaduais;

XV – a divulgação de dados e informações incluindo os programas, as metas, os
indicadores e os relatórios ambientais;

XVI – a disseminação de informações sobre as técnicas de prevenção da poluição, de
minimização, de tratamento e destinação final de resíduos;

XVII – a educação ambiental;

XVIII – a gradação de metas, em conjunto com os setores produtivos, visando à redução
na fonte e à reciclagem de resíduos que causem riscos à saúde pública e ao meio ambiente;

XIX – o incentivo à certificação ambiental de produtos;

XX – o incentivo à autodeclaração ambiental na rotulagem dos produtos;

XXI – o incentivo às auditorias ambientais;

XXII – o incentivo ao seguro ambiental;

XXIII – o incentivo mediante programas específicos para a implantação de unidades de
coleta, triagem, beneficiamento e reciclagem de resíduos;

XXIV – o incentivo ao uso de resíduos e materiais reciclados como matéria-prima;

XXV – o incentivo a pesquisa e a implementação de processos que utilizem as
tecnologias limpas.

CAPÍTULO III
Das Definições

Artigo 5º – Para os efeitos desta lei, consideram-se:

I – resíduos sólidos: os materiais decorrentes de atividades humanas em sociedade, e
que se apresentam nos estados sólido ou semi-sólido, como líquidos não passíveis de
tratamento como efluentes, ou ainda os gases contidos;
II – prevenção da poluição ou redução na fonte: a utilização de processos, práticas,
materiais, produtos ou energia que evitem ou minimizem a geração de resíduos na fonte e
reduzam os riscos para a saúde humana e para o meio ambiente;

III – minimização dos resíduos gerados: a redução, ao menor volume, quantidade e
periculosidade possíveis, dos materiais e substâncias, antes de descartá-los no meio ambiente;

IV – gestão compartilhada de resíduos sólidos: a maneira de conceber, implementar e
gerenciar sistemas de resíduos, com a participação dos setores da sociedade com a
perspectiva do desenvolvimento sustentável;

V – gestão integrada de resíduos sólidos: a maneira de conceber, implementar,
administrar os resíduos sólidos considerando uma ampla participação das áreas de governo
responsáveis no âmbito estadual e municipal;

VI – unidades receptoras de resíduos: as instalações licenciadas pelas autoridades
ambientais para a recepção, segregação, reciclagem, armazenamento para futura reutilização,
tratamento ou destinação final de resíduos;

VII – aterro sanitário: local utilizado para disposição final de resíduos urbanos, onde são
aplicados critérios de engenharia e normas operacionais especiais para confinar esses resíduos
com segurança, do ponto de vista de controle da poluição ambiental e proteção à saúde
pública;

VIII – aterro industrial: técnica de disposição final de resíduos sólidos perigosos ou não
perigosos, que utiliza princípios específicos de engenharia para seu seguro confinamento, sem
causar danos ou riscos à saúde pública e à segurança, e que evita a contaminação de águas
superficiais, pluviais e subterrâneas, e minimiza os impactos ambientais;

IX – área contaminada: área, terreno, local, instalação, edificação ou benfeitoria que
contém quantidades ou concentrações de matéria em condições que causem ou possam
causar danos à saúde humana, ao meio ambiente e a outro bem a proteger;

X – área degradada: área, terreno, local, instalação, edificação ou benfeitoria que por
ação humana teve as suas características ambientais deterioradas;

XI – remediação de área contaminada: adoção de medidas para a eliminação ou redução
dos riscos em níveis aceitáveis para o uso declarado;

XII – co-processamento de resíduos em fornos de produção de clínquer: técnica de
utilização de resíduos sólidos industriais a partir do seu processamento como substituto parcial
de matéria-prima ou combustível, no sistema forno de produção de clínquer, na fabricação do
cimento;

XIII – reciclagem: prática ou técnica na qual os resíduos podem ser usados com a
necessidade de tratamento para alterar as suas características físico-químicas;

XIV – unidades geradoras: as instalações que por processo de transformação de
matéria-prima, produzam resíduos sólidos de qualquer natureza;

XV – aterro de resíduos da construção civil e de resíduos inertes: área onde são
empregadas técnicas de disposição de resíduos da construção civil classe A, conforme
classificação específica, e resíduos inertes no solo, visando à reservação de materiais segregados, de forma a possibilitar o uso futuro dos materiais e/ou futura utilização da área,
conforme princípios de engenharia para confiná-los ao menor volume possível, sem causar
danos à saúde pública e ao meio ambiente;

XVI – resíduos perigosos: aqueles que em função de suas propriedades químicas, físicas
ou biológicas, possam apresentar riscos à saúde pública ou à qualidade do meio ambiente;

XVII – reutilização: prática ou técnica na qual os resíduos podem ser usados na forma
em que se encontram sem necessidade de tratamento para alterar as suas características
físico-químicas;

XVIII – deposição inadequada de resíduos: todas as formas de depositar, descarregar,
enterrar, infiltrar ou acumular resíduos sólidos sem medidas que assegurem a efetiva proteção
ao meio ambiente e à saúde pública;

XIX – coleta seletiva: o recolhimento diferenciado de resíduos sólidos, previamente
selecionados nas fontes geradoras, com o intuito de encaminhá-los para reciclagem,
compostagem, reuso, tratamento ou outras destinações alternativas.

Artigo 6º – Nos termos desta lei, os resíduos sólidos enquadrar-se-ão nas seguintes
categorias:

I – resíduos urbanos: os provenientes de residências, estabelecimentos comerciais e
prestadores de serviços, da varrição, de podas e da limpeza de vias, logradouros públicos e
sistemas de drenagem urbana passíveis de contratação ou delegação a particular, nos termos
de lei municipal;

II – resíduos industriais: os provenientes de atividades de pesquisa e de transformação
de matérias-primas e substâncias orgânicas ou inorgânicas em novos produtos, por processos
específicos, bem como os provenientes das atividades de mineração e extração, de montagem
e manipulação de produtos acabados e aqueles gerados em áreas de utilidade, apoio, depósito
e de administração das indústrias e similares, inclusive resíduos provenientes de Estações de
Tratamento de Água – ETAs e Estações de Tratamento de Esgosto – ETEs;

III – resíduos de serviços de saúde: os provenientes de qualquer unidade que execute
atividades de natureza médico-assistencial humana ou animal; os provenientes de centros de
pesquisa, desenvolvimento ou experimentação na área de farmacologia e saúde;
medicamentos e imunoterápicos vencidos ou deteriorados; os provenientes de necrotérios,
funerárias e serviços de medicina legal; e os provenientes de barreiras sanitárias;

IV – resíduos de atividades rurais: os provenientes da atividade agropecuária, inclusive
os resíduos dos insumos utilizados;

V – resíduos provenientes de portos, aeroportos, terminais rodoviários, e ferroviários,
postos de fronteira e estruturas similares: os resíduos sólidos de qualquer natureza
provenientes de embarcação, aeronave ou meios de transporte terrestre, incluindo os
produzidos nas atividades de operação e manutenção, os associados às cargas e aqueles
gerados nas instalações físicas ou áreas desses locais;

VI – resíduos da construção civil: os provenientes de construções, reformas, reparos e
demolições de obras de construção civil, e os resultantes da preparação e da escavação de
terrenos, tais como: tijolos, blocos cerâmicos, concreto em geral, solos, rochas, metais, resinas,
colas, tintas, madeiras, compensados, forros e argamassas, gesso, telhas, pavimento asfáltico, vidros, plásticos, tubulações e fiação elétrica, comumente chamados de entulhos de obras,
caliça ou metralha.

Parágrafo único – Os resíduos gerados nas operações de emergência ambiental, em
acidentes dentro ou fora das unidades geradoras ou receptoras de resíduo, nas operações de
remediação de áreas contaminadas e os materiais gerados nas operações de escavação e
dragagem deverão ser previamente caracterizados e, em seguida encaminhados para
destinação adequada.

Artigo 7º – Os resíduos sólidos que, por suas características exijam ou possam exigir
sistemas especiais para acondicionamento, armazenamento, coleta, transporte, tratamento ou
destinação final, de forma a evitar danos ao meio ambiente e à saúde pública, serão definidos
pelos órgãos estaduais competentes.

TÍTULO II
Da Gestão dos Resíduos Sólidos

CAPÍTULO I
Das Disposições Preliminares

Artigo 8º – As unidades geradoras e receptoras de resíduos deverão ser projetadas,
implantadas e operadas em conformidade com a legislação e com a regulamentação pertinente,
devendo ser monitoradas de acordo com projeto previamente aprovado pelo órgão ambiental
competente.

Artigo 9º – As atividades e instalações de transporte de resíduos sólidos deverão ser
projetadas, licenciadas, implantadas e operadas em conformidade com a legislação em vigor,
devendo a movimentação de resíduos ser monitorada por meio de registros rastreáveis, de
acordo com o projeto previamente aprovado pelos órgãos previstos em lei ou regulamentação
específica.

Artigo 10 – As unidades receptoras de resíduos de caráter regional e de uso
intermunicipal terão prioridade na obtenção de financiamentos pelos organismos oficiais de
fomento.

Artigo 11 – vetado.

Artigo 12 – Os governos estadual e municipais, consideradas as suas particularidades,
deverão incentivar e promover ações que visem a reduzir a poluição difusa por resíduos sólidos.

Artigo 13 – A gestão dos resíduos sólidos urbanos será feita pelos Municípios, de forma,
preferencialmente, integrada e regionalizada, com a cooperação do Estado e participação dos
organismos da sociedade civil, tendo em vista a máxima eficiência e a adequada proteção
ambiental e à saúde pública.

Parágrafo único – Nas regiões metropolitanas, as soluções para gestão dos resíduos
sólidos deverão seguir o plano metropolitano de resíduos sólidos com participação do Estado,
Municípios e da sociedade civil.

Artigo 14 – São proibidas as seguintes formas de destinação e utilização de resíduos
sólidos:

I – lançamento “in natura” a céu aberto;
II – deposição inadequada no solo;

III – queima a céu aberto;

IV – deposição em áreas sob regime de proteção especial e áreas sujeitas a inundação;

V – lançamentos em sistemas de redes de drenagem de águas pluviais, de esgotos, de
eletricidade, de telecomunicações e assemelhados;

VI – infiltração no solo sem tratamento prévio e projeto aprovado pelo órgão de controle
ambiental estadual competente;

VII – utilização para alimentação animal, em desacordo com a legislação vigente;

VIII – utilização para alimentação humana;
IX – encaminhamento de resíduos de serviços de saúde para disposição final em aterros,
sem submete-los previamente a tratamento específico, que neutralize sua periculosidade.

§ 1º – Em situações excepcionais de emergência sanitária e fitossanitária, os órgãos da
saúde e de controle ambiental competentes poderão autorizar a queima de resíduos a céu
aberto ou outra forma de tratamento que utilize tecnologia alternativa.

§ 2º – vetado.

Artigo 15 – vetado.

Artigo 16 – Os responsáveis pela degradação ou contaminação de áreas em decorrência
de suas atividades econômicas, de acidentes ambientais ou pela disposição de resíduos
sólidos, deverão promover a sua recuperação ou remediação em conformidade com
procedimentos específicos, estabelecidos em regulamento.

Artigo 17 – A importação, a exportação e o transporte interestadual de resíduos, no
Estado, dependerão de prévia autorização dos órgãos ambientais competentes.

Parágrafo único – Os resíduos sólidos gerados no Estado somente poderão ser enviados
para outros Estados da Federação, mediante prévia aprovação do órgão ambiental do Estado
receptor.

Artigo 18 – A Administração Pública optará, preferencialmente, nas suas compras e
contratações, pela aquisição de produtos de reduzido impacto ambiental, que sejam não-
perigosos, recicláveis e reciclados, devendo especificar essas características na descrição do
objeto das licitações, observadas as formalidades legais.

CAPÍTULO II
Dos Planos De Gerenciamento De Resíduos Sólidos

Artigo 19 – O Plano de Gerenciamento de Resíduos Sólidos, a ser elaborado pelo
gerenciador dos resíduos e de acordo com os critérios estabelecidos pelos órgãos de saúde e
do meio ambiente, constitui documento obrigatoriamente integrante do processo de
licenciamento das atividades e deve contemplar os aspectos referentes à geração, segregação,
acondicionamento, armazenamento, coleta, transporte, tratamento e disposição final, bem como a eliminação dos riscos, a proteção à saúde e ao ambiente, devendo contemplar em sua
elaboração e implementação:

I – vetado;

II – as diretrizes estabelecidas no Plano Estadual de Recursos Hídricos e no Plano
Estadual de Saneamento, quando houver;

III – o cronograma de implantação e programa de monitoramento e avaliação das
medidas e das ações implementadas.

Parágrafo único – O programa de monitoramento e demais mecanismos de
acompanhamento das metas dos planos de gerenciamento de resíduos previstos nesta lei
serão definidos em regulamento.

Artigo 20 – O Estado apoiará, de modo a ser definido em regulamento, os Municípios que
gerenciarem os resíduos urbanos em conformidade com Planos de Gerenciamento de
Resíduos Urbanos.

§ 1º – Os Planos referidos no “caput” deverão ser apresentados a cada quatro anos e
contemplar:

1. a origem, a quantidade e a caracterização dos resíduos gerados, bem como os prazos
máximos para sua destinação;

2. a estratégia geral do responsável pela geração, reciclagem, tratamento e disposição
dos resíduos sólidos, inclusive os provenientes dos serviços de saúde, com vistas à proteção da
saúde pública e do meio ambiente;
3. as medidas que conduzam à otimização de recursos, por meio da cooperação entre
os Municípios, assegurada a participação da sociedade civil, com vistas à implantação de
soluções conjuntas e ação integrada;

4. a definição e a descrição de medidas e soluções direcionadas:

a) às praticas de prevenção à poluição;

b) à minimização dos resíduos gerados, através da reutilização, reciclagem e
recuperação;

c) à compostagem;

d) ao tratamento ambientalmente adequado;

5. os tipos e a setorização da coleta;

6. a forma de transporte, armazenamento e disposição final;

7. as ações preventivas e corretivas a serem praticadas no caso de manuseio incorreto
ou de acidentes;

8. as áreas para as futuras instalações de recebimento de resíduos, em consonância
com os Planos Diretores e legislação de uso e ocupação do solo;
9. o diagnóstico da situação gerencial atual e a proposta institucional para a futura
gestão do sistema;

10. o diagnóstico e as ações sociais, com a avaliação da presença de catadores nos
lixões e nas ruas das cidades, bem como as alternativas da sua inclusão social;

11. as fontes de recursos para investimentos, operação do sistema e amortização de
financiamentos.

§ 2º – O horizonte de planejamento do Plano de Gerenciamento de Resíduos Urbanos
deve ser compatível com o período de implantação dos seus programas e projetos, ser
periodicamente revisado e compatibilizado com o plano anteriormente vigente.

§ 3º – Os Municípios com menos de 10.000 (dez mil) habitantes de população urbana,
conforme último censo, poderão apresentar Planos de Gerenciamento de Resíduos Urbanos
simplificados, na forma estabelecida em regulamento.

Artigo 21 – Os gerenciadores de resíduos industriais deverão seguir, na elaboração dos
respectivos Planos de Gerenciamento, as gradações de metas estabelecidas pelas suas
associações representativas setoriais e pelo órgão ambiental.

§ 1º – Para os efeitos deste artigo, entre outros, serão considerados os seguintes setores
produtivos:

1. atividade de extração de minerais;

2. indústria metalúrgica;

3. indústria de produtos de minerais não-metálicos;

4. indústria de materiais de transporte;

5. indústria mecânica;

6. indústria de madeira, de mobiliário, e de papel, papelão e celulose;

7. indústria da borracha;

8. indústria de couros, peles e assemelhados e de calçados;

9. indústria química e petroquímica;

10. indústria de produtos farmacêuticos, veterinários e de higiene pessoal;

11. indústria de produtos alimentícios;

12. indústria de bebidas e fumo;

13. indústria têxtil e de vestuário, artefatos de tecidos e de viagem;

14. indústria da construção;

15. indústria de produção de materiais plásticos;
16. indústria de material elétrico, eletrônico e de comunicação;

17. indústria de embalagens.

§ 2º – O Plano de Gerenciamento de Resíduos Industriais poderá prever a implantação
de Bolsas de Resíduos, objetivando o reaproveitamento e o gerenciamento eficiente dos
resíduos sólidos, conforme definido em regulamento.

§ 3º – O Plano de Gerenciamento de Resíduos Industriais poderá prever a destinação
em centrais integradas de tratamento para múltiplos resíduos.

§ 4º – Os órgãos ambientais competentes poderão, na forma estabelecida em
regulamento, exigir a apresentação do Plano de Gerenciamento de Resíduos Industriais para
efeito de aprovação, avaliação e controle.

Artigo 22 – Os órgãos do meio ambiente e da saúde definirão os estabelecimentos de
saúde que estão obrigados a apresentar o Plano de Gerenciamento de Resíduos.

Artigo 23 – vetado.

Artigo 24 – vetado.

CAPÍTULO III
Dos Resíduos Urbanos

Artigo 25 – Os Municípios são responsáveis pelo planejamento e execução com
regularidade e continuidade, dos serviços de limpeza, exercendo a titularidade dos serviços em
seus respectivos territórios.

Parágrafo único – A prestação dos serviços mencionados no “caput” deverá adequar-se
às peculiaridades e necessidades definidas pelo Município, nos Planos de Gerenciamento de
Resíduos Sólidos Urbanos.

Artigo 26 – A taxa de limpeza urbana é o instrumento que pode ser adotado pelos
Municípios para atendimento do custo da implantação e operação dos serviços de limpeza
urbana.

§ 1º – Com vistas à sustentabilidade dos serviços de limpeza urbana, os Municípios
poderão fixar os critérios de mensuração dos serviços, para efeitos de cobrança da taxa de
limpeza urbana, com base, entre outros, nos seguintes indicadores:

1. a classificação dos serviços;

2. a correlação com o consumo de outros serviços públicos;

3. a quantidade e freqüência dos serviços prestados;

4. a avaliação histórica e estatística da efetividade de cobrança em cada região
geográfica homogênea;

5. a autodeclaração do usuário.
§ 2º – Poderão ser instituídas taxas e tarifas diferenciadas de serviços especiais,
referentes aos resíduos que:

1. contenham substâncias ou componentes potencialmente perigosos à saúde pública e
ao meio ambiente;

2. por sua quantidade ou suas características, tornem onerosa a operação do serviço
público de coleta, transporte, tratamento e disposição final dos resíduos urbanos.

Artigo 27 – vetado:

I – vetado;

II – vetado;

III – vetado.

Artigo 28 – Os usuários dos sistemas de limpeza urbana deverão acondicionar os
resíduos para coleta de forma adequada, cabendo-lhes observar as normas municipais que
estabelecem as regras para a seleção e acondicionamento dos resíduos no próprio local de
origem, e que indiquem os locais de entrega e coleta.

§ 1º – Cabe ao Poder Público Municipal, por meio dos órgãos competentes, dar ampla
publicidade às disposições e aos procedimentos do sistema de limpeza urbana, bem como da
forma de triagem e seleção, além dos locais de entrega dos resíduos.

§ 2º – A coleta de resíduos urbanos será feita, preferencialmente, de forma seletiva e
com inclusão social.

Artigo 29 – O Estado deve, nos limites de sua competência e atribuições:

I – promover ações objetivando a que os sistemas de coleta, transporte, tratamentos e
disposição final de resíduos sólidos sejam estendidos a todos os Municípios e atendam aos
princípios de regularidade, continuidade, universalidade em condições sanitárias de segurança;

II – incentivar a implantação, gradativa, nos Municípios da segregação dos resíduos
sólidos na origem, visando ao reaproveitamento e à reciclagem;

III – estimular os Municípios a atingirem a autosustentabilidade econômica dos seus
sistemas de limpeza urbana, mediante orientação para a criação e implantação de mecanismos
de cobrança e arrecadação compatíveis com a capacidade de pagamento da população;

IV – fomentar a elaboração de legislação e atos normativos específicos de limpeza
urbana nos Municípios, em consonância com as políticas estadual e federal;

V – criar mecanismos que facilitem o uso e a comercialização dos recicláveis e
reciclados em todas as regiões do Estado;

VI – incentivar a formação de consórcios entre Municípios com vistas ao tratamento,
processamento de resíduos e comercialização de materiais recicláveis;
VII – fomentar parcerias das indústrias recicladoras com o Poder Público e a iniciativa
privada nos programas de coleta seletiva e no apoio à implantação e desenvolvimento de
associações ou cooperativas de catadores.

Artigo 30 – O Estado adotará critérios de elegibilidade para financiamento de projetos,
programas e sistemas de resíduos sólidos aos Municípios que contemplem ou estejam de
acordo com:

I – as diretrizes e recomendações dos planos regionais e estadual de resíduos sólidos;

II – a sustentabilidade financeira dos empreendimentos através da demonstração dos
instrumentos específicos de custeio;

III – a sustentabilidade técnico-operacional por meio de programas continuados de
capacitação e educação ambiental;

IV – vetado.

CAPÍTULO IV
Dos Resíduos Industriais

Artigo 31 – O gerenciamento dos resíduos industriais, especialmente os perigosos,
desde a geração até a destinação final, será feito de forma a atender os requisitos de proteção
ambiental e de saúde pública, com base no Plano de Gerenciamento de Resíduos Sólidos de
que trata esta lei.

Artigo 32 – Compete aos geradores de resíduos industriais a responsabilidade pelo seu
gerenciamento, desde a sua geração até a sua disposição final, incluindo:

I – a separação e coleta interna dos resíduos, de acordo com suas classes e
características;

II – o acondicionamento, identificação e transporte interno, quando for o caso;

III – a manutenção de áreas para a sua operação e armazenagem;

IV – a apresentação dos resíduos à coleta externa, quando cabível, de acordo com as
normas pertinentes e na forma exigida pelas autoridades competentes;

V – o transporte, tratamento e destinação dos resíduos, na forma exigida pela legislação
pertinente.

Artigo 33 – O emprego de resíduos industriais perigosos, mesmo que tratados, reciclados
ou recuperados para utilização como adubo, matéria-prima ou fonte de energia, bem como suas
incorporações em materiais, substâncias ou produtos, dependerá de prévia aprovação dos
órgãos competentes, mantida, em qualquer caso, a responsabilidade do gerador.

§ 1º – O fabricante deverá comprovar que o produto resultante da utilização dos resíduos
referidos no “caput” deste artigo não implicará risco adicional à saúde pública e ao meio
ambiente.

§ 2° – É vedada a incorporação de resíduos industriais perigosos em materiais,
substâncias ou produtos, para fins de diluição de substâncias perigosas.
Artigo 34 – As instalações industriais para o processamento de resíduos são
consideradas unidades receptoras de resíduos, estando sujeitas às exigências desta lei.

CAPÍTULO V
Dos Resíduos Perigosos

Artigo 35 – Os resíduos perigosos que, por suas características, exijam ou possam exigir
sistemas especiais para acondicionamento, armazenamento, coleta, transporte, tratamento ou
destinação final, de forma a evitar danos ao meio ambiente e à saúde pública, deverão receber
tratamento diferenciado durante as operações de segregação, acondicionamento, coleta,
armazenamento, transporte, tratamento e disposição final.

Artigo 36 – O licenciamento, pela autoridade de controle ambiental, de empreendimento
ou atividade que gere resíduo perigoso condicionar-se-á à comprovação de capacidade técnica
para o seu gerenciamento.
Artigo 37 – vetado:

I – vetado;

II – vetado;

III – vetado;

IV – vetado;

V – vetado;

VI – vetado.

Artigo 38 – A coleta e gerenciamento de resíduos perigosos, quando não forem
executados pelo próprio gerador, somente poderão ser exercidos por empresas autorizadas
pelo órgão de controle ambiental para tal fim.

Artigo 39 – O transporte dos resíduos perigosos deverá ser feito com emprego de
equipamentos adequados, sendo devidamente acondicionados e rotulados em conformidade
com as normas nacionais e internacionais pertinentes.

Parágrafo único – Quando houver movimentação de resíduos perigosos para fora da
unidade geradora, os geradores, transportadores e as unidades receptoras de resíduos
perigosos deverão, obrigatoriamente, utilizar o Manifesto de Transporte de Resíduos, de acordo
com critérios estabelecidos pela legislação vigente.

TÍTULO III
Da Informação

CAPÍTULO I
Da Informação e da Educação Ambiental

Artigo 41 – O órgão ambiental elaborará e apresentará, anualmente, o Inventário
Estadual de Resíduos, que constará de:
I – cadastro de fontes prioritárias, efetiva ou potencialmente, poluidoras, industriais, de
transportadoras e locais de disposição de resíduos sólidos, especialmente, os industriais e os
perigosos;

II – sistema declaratório;

III – relação de fontes e substâncias consideradas de interesse.

Parágrafo único – O inventário referido no “caput” deverá ser, obrigatoriamente,
apresentado à Assembléia Legislativa do Estado.

Artigo 42 – Fica assegurado ao público em geral, o acesso às informações relativas a
resíduos sólidos existentes nos bancos de dados dos órgãos e das entidades da administração
direta e indireta do Estado.

Artigo 43 – Compete ao Poder Público fomentar e promover a educação ambiental sobre
resíduos sólidos, inclusive por meio de convênios com entidades públicas e privadas.

Artigo 44 – Os fabricantes, importadores ou fornecedores de produtos e serviços que
gerem resíduo potencialmente nocivos ou perigosos à saúde ou ao ambiente devem informar à
comunidade sobre os riscos decorrentes de seu manejo, de maneira ostensiva e adequada.

Artigo 45 – Os fabricantes e os importadores de produtos que gerem resíduos
potencialmente nocivos ao meio ambiente devem informar os consumidores sobre os impactos
ambientais deles decorrentes, bem como sobre o seu processo de produção, por meio de
rotulagem, em conformidade com os critérios estabelecidos pelo órgão ambiental estadual
competente.

CAPÍTULO II
Do Sistema Declaratório Anual

Artigo 46 – As fontes geradoras, os transportadores e as unidades receptoras de
resíduos ficam obrigadas a apresentar, anualmente, declaração formal contendo as
quantidades de resíduos gerados, armazenados, transportados e destinados, na forma a ser
fixada no regulamento desta lei.

Artigo 47 – Os geradores e/ou responsáveis pelo gerenciamento de resíduos sólidos
perigosos devem informar, anualmente, ou sempre que solicitado pelas autoridades
competentes do Estado e do Municípios:

I – a quantidade de resíduos gerados, manipulados, acondicionados, armazenados,
coletados, transportados ou tratados, conforme cada caso específico, assim como a natureza
dos mesmos e sua disposição final;

II – as medidas adotadas com o objetivo de reduzir a quantidade e a periculosidade dos
resíduos e de aperfeiçoar tecnicamente o seu gerenciamento;

III – as instalações de que dispõem e os procedimentos relacionados ao gerenciamento
de resíduos;

IV – os dados que forem julgados necessários pelos órgãos competentes.

TÍTULO IV Das Responsabilidades, Infrações E Penalidades

CAPÍTULO I
Das Responsabilidades

Artigo 48 – Os geradores de resíduos são responsáveis pela gestão dos mesmos.

Parágrafo único – Para os efeitos deste artigo, equipara-se ao gerador o órgão municipal
ou a entidade responsável pela coleta, pelo tratamento e pela disposição final dos resíduos
urbanos.

Artigo 49 – No caso de ocorrências envolvendo resíduos que coloquem em risco o
ambiente e a saúde pública, a responsabilidade pela execução de medidas corretivas será:

I – do gerador, nos eventos ocorridos em suas instalações;

II – do gerador e do transportador, nos eventos ocorridos durante o transporte de
resíduos sólidos;

III – do gerador e do gerenciador de unidades receptoras, nos eventos ocorridos nas
instalações destas últimas.

§ 1º – Os derramamentos, os vazamentos ou os despejos acidentais de resíduos
deverão ser comunicados por qualquer dos responsáveis, imediatamente após o ocorrido, à
defesa civil, aos órgãos ambiental e de saúde pública competentes.

§ 2º – O gerador do resíduo derramado, vazado ou despejado acidentalmente deverá
fornecer, quando solicitado pelo órgão ambiental competente, todas as informações relativas à
quantidade e composição do referido material, periculosidade e procedimentos de
desintoxicação e de descontaminação.

Artigo 50 – Os geradores e gerenciadores de unidades receptoras de resíduos sólidos
deverão requerer, junto aos órgãos competentes, registro de encerramento de atividades.

Parágrafo único – A formalização do pedido de registro a que se refere o “caput” deste
artigo deverá, para as atividades previstas em regulamento, ser acompanhada de relatório
conclusivo de auditoria ambiental atestando a qualidade do solo, do ar e das águas na área de
impacto do empreendimento.

Artigo 51 – O gerador de resíduos de qualquer origem ou natureza e seus sucessores
respondem pelos danos ambientais, efetivos ou potenciais.

§ 1º – Os geradores dos resíduos referidos, seus sucessores, e os gerenciadores das
unidades receptoras, em atendimento ao principio do poluidor-pagador, são responsáveis pelos
resíduos remanescentes da desativação de sua fonte geradora, bem como pela recuperação
das áreas por eles contaminadas.

§ 2º – O gerenciador de unidades receptoras responde solidariamente com o gerador,
pelos danos de que trata este artigo, quando estes se verificarem em sua instalação.

Artigo 52 – O gerador de resíduos sólidos de qualquer origem ou natureza, assim como
os seus controladores, respondem solidariamente pelos danos ambientais, efetivos ou
potenciais, decorrentes de sua atividade, cabendo-lhes proceder, às suas expensas, às atividades de prevenção, recuperação ou remediação, em conformidade com a solução técnica
aprovada pelo órgão ambiental competente, dentro dos prazos assinalados, ou, em caso de
inadimplemento, ressarcir, integralmente, todas as despesas realizadas pela administração
pública para a devida correção ou reparação do dano ambiental.

Artigo 53 – Os fabricantes, distribuidores ou importadores de produtos que, por suas
características, exijam ou possam exigir sistemas especiais para acondicionamento,
armazenamento, coleta, transporte, tratamento ou destinação final, de forma a evitar danos ao
meio ambiente e à saúde pública, mesmo após o consumo de seus resíduos desses itens, são
responsáveis pelo atendimento de exigências estabelecidas pelo órgão ambiental.

Artigo 54 – As unidades de tratamento de resíduos de serviços de saúde somente
poderão ser licenciadas quando localizadas em áreas em que a legislação de uso e ocupação
do solo permitir o uso industrial ou quando localizadas dentro de áreas para recepção de
resíduos previamente licenciadas.

Artigo 55 – vetado.

Parágrafo único – vetado.

Artigo 56 – Compete ao administrador dos portos, aeroportos, terminais rodoviários e
ferroviários, o gerenciamento completo dos resíduos sólidos gerados nesses locais.

Artigo 57 – Na forma desta lei, são responsáveis pelo gerenciamento dos resíduos de
construção civil:

I – o proprietário do imóvel e/ou do empreendimento;

II – o construtor ou empresa construtora, bem como qualquer pessoa que tenha poder de
decisão na construção ou reforma;

III – as empresas e/ou pessoas que prestem serviços de coleta, transporte,
beneficiamento e disposição de resíduos de construção civil.

CAPÍTULO II
Das Infrações e Penalidades

Artigo 58 – Constitui infração, para efeitos desta lei, toda ação ou omissão que importe
inobservância dos preceitos por ela estabelecidos.

Artigo 59 – As infrações às disposições desta lei, do seu regulamento e dos padrões e
exigências técnicas dela decorrentes serão sancionadas em conformidade com o disposto nos
artigos 28 a 33 da Lei nº 9.509, de 20 de março de 1997, e legislação pertinente.

Artigo 60 – Os custos resultantes da aplicação da sanção de interdição temporária ou
definitiva correrão por conta do infrator.

Artigo 61 – vetado.

Artigo 62 – Constatada a infração às disposições desta lei, os órgãos da administração
pública encarregados do licenciamento e da fiscalização ambientais poderão diligenciar, junto
ao infrator, no sentido de formalizar termo de compromisso de ajustamento de conduta
ambiental com força de título executivo extrajudicial, que terá por objetivo cessar, adaptar, recompor, corrigir ou minimizar os efeitos negativos sobre o meio ambiente, independentemente
da aplicação das sanções cabíveis.

§ 1º – As multas pecuniárias aplicadas poderão ser reduzidas em até 50% (cinqüenta por
cento) de seu valor, e as demais sanções terão sua exigibilidade suspensa, conforme dispuser
o regulamento desta lei.

§ 2º – O não-cumprimento total ou parcial do convencionado no termo de ajustamento de
conduta ambiental ensejará a execução das obrigações dele decorrentes, sem prejuízo das
sanções penais e administrativas aplicáveis à espécie.

CAPÍTULO III
Das Disposições Finais

Artigo 63 – O regulamento desta lei estabelecerá:

I – os prazos em que os responsáveis pela elaboração dos Planos de Gerenciamento de
Resíduos nela referidos deverão apresentá-los aos órgãos competentes;

II – os mecanismos de cooperação entre as secretarias, órgãos e agências estaduais
integrantes do Sistema Estadual de Administração da Qualidade Ambiental – SEAQUA, do
Sistema Integral de Gerenciamento de Recursos Hídricos de São Paulo – SIGRH e do Sistema
Estadual de Saneamento – SESAN, assim como os de saúde pública, com vistas à execução da
Política Estadual de Resíduos Sólidos;

III – as regras que regulam o Sistema Declaratório Anual.

Artigo 64 – A presente lei não se aplica à gestão de rejeitos radioativos.

Artigo 65 – O órgão ambiental deverá propor o regulamento desta lei no prazo de 2 (dois)
anos.

Artigo 66 – vetado.

Artigo 67 – Fica revogada a Lei nº 11.387, de 27 de maio de 2003.

Artigo 68 – Esta lei entra em vigor na data de sua publicação.

Palácio dos Bandeirantes, 16 de março de 2006.

GERALDO ALCKMIN

(Projeto de lei n. 326/2005, do Deputado Arnaldo Jardim – PPS e outros)

(Fonte – CETESBNET – D.O.E. Executivo, de 17.03.06)